A importância da criança interior no processo terapêutico

Toda criança possui um potencial inato para a criatividade, para a beleza e a descoberta. Quando saudáveis, são naturalmente espontâneas, otimistas e confiantes, possuem capacidade para rir e chorar com fluidez, e uma predisposição natural ao afeto, ao amor. Como disse Jung, essa é a “criança maravilha”. Em cada uma de suas fases de desenvolvimento, a criança precisa de cuidados específicos, tanto físicos quanto emocionais.

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Quando essas necessidades não são atendidas, isto poderá afetar a personalidade daquele ser que se desenvolve, e possivelmente, essas dores emocionais serão carregadas para a vida adulta. Como disse John Bradshaw, em seu livro “Volta ao Lar”, as pessoas se tornam adultos crianças, cujas vidas são contaminadas pela criança interior ferida. E são muitas as feridas emocionais que podem existir, cujas origens se encontram na infância. Portanto, são muitos os exemplos que temos a dar sobre o efeito desta contaminação. De forma muito resumida e simplificada, pode-se citar desde reações emocionais exageradas como crises de raiva e comportamento agressivo em demasia,  até relacionamentos prejudiciais, dificuldade de confiar em si e no outro, medo do abandono, narcisismo, vícios, depressão, etc.

Muitas das experiências adultas são “moldadas” e interpretadas pelo sistema interno de crenças, que é basicamente formado pelas primeiras experiências de vida. Isto porque, como o corpo está em desenvolvimento, significa que o cérebro, o sistema límbico e os neuropeptídeos estão armazenando memórias físicas e também emocionais que ficarão registradas até o momento em que forem percebidas suficientemente para serem modificadas. Sim, esta é a boa notícia, é possível modificá-las, se houver empenho para isto.

O trabalho de psicoterapia pode contribuir para que, através do resgate de algumas memórias, a pessoa entre em contato com o sentimento real e a “dor original”, como denomina Bradshaw. Obviamente, a psicoterapia não trata apenas da criança interior, mas também do adulto, afinal, é com o poder de adulto que se cuida da criança. E quando esse resgate começa a acontecer, antigas mágoas começam a se dissolver e o potencial da “criança maravilha” começa a aparecer, e isso costuma ter reflexos muito positivos na vida das pessoas que se empenham nesse processo.

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“Em todo adulto espreita uma criança – uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo e que solicita cuidado, atenção e educação incessante. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa” – Jung (1981)

Referências:

BRADSHAW, J.  Volta ao lar – Como resgatar e defender sua criança interior , Ed. Rocco, Rio de Janeiro, RJ

JUNG, C.G – O desenvolvimento da personalidade, Ed Vozes, Petrópolis, RJ.

 

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